Alice do outro lado do espelho: quase um sucesso

Mia Wasikowska, Johny Depp e Helena Bonham Carter protagonizam a mais recente fita de James Bobin, Alice do outro lado do espelho, uma alucinação, maravilhosamente, colorida, mas de visualidade pobre.

A Alice no País das Maravilhas (2010), filme inaugural desta saga que agora se prolonga, faltara a magia tresloucada que, há décadas, anima os espíritos dos leitores de Carroll.

Apresentara-se, exageradamente, esculpido. Transformara a simplicidade insana das memoráveis personagens em jogos complexos quase inteligentes, mas muito pouco apelativos.

Alice do outro lado do espelho (2016) triunfa sobre esta fragilidade, empregando uma infantilidade tão intensa que roça, imageticamente, a precariedade.

Sejamos claros, a fita de 2010 pouco se aproximara dos públicos mais novos; o filme de 2016, despido da metáfora que lhe dá vida, jamais se revelaria apetecível a uma audiência mais madura.

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O novo filme de James Bobin é, narrativamente, encantador. As suas cores, acompanhamento sonoro e adereços fazem as delícias de todas as idades. A pobre execução dos efeitos especiais mitiga, no entando, essa atratividade [entenda-se, dizima-a].

Não podes mudar o passado, Alice, mas podes aprender com ele“, avisa o Tempo (Sacha Baron Cohen).

Na nova adição a este renascimento da obra de Lewis Carroll, Alice (Mia Wasikowska) viaja entre as memórias da Rainha de Copas e as histórias do Chapeleiro Louco, para salvar este último do peso insuportável da saudade da sua família.

A aventura é fascinante. Alice do outro lado do espelho mantém o espectador preso até ao último segundo. 

Os verdadeiros fãs de Carroll sentar-se-ão aconchegados nos diálogos familiares, sorrindo de orelha a orelha, aterrorizados, contudo, pela negligência descarada da materialização desse mundo imaginário.

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Wasikowska supera-se, representando uma Alice curiosa, mas, satisfatoriamente, longe do adorável. Depp é, de acordo com a tradição, camaleónico. Carter (que dá vida à Rainha de Copas) é, genuinamente, brilhante.

Sacha Cohen e Anne Hattaway são as nódoas negras deste elenco: inconstantes e, tendencialmente, exagerados, o Tempo e a Rainha Branca, respectivamente, provocam alguma irritação no espectador deslumbrado pela naturalidade de Carter.

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Alice do outro lado do espelho é, por tudo isto, uma oportunidade quase perdida.

De olhos fechados – ou semi-cerrados, para que não lhe escapem os detalhes deslumbrantes do cenário – e paciência ao rubro, a obra de Carroll ganha uma extraordinária vivacidade que só faz desejar uma terceira edição, dessa vez, completamente, acertada.

Vejamos o que o Tempo nos traz.

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