Expire ou o sucesso é um vício

Folgue neste Dia do Trabalhador. Puxe a cadeira, devore um pequeno-almoço de rei e recuse a fatiga: aprecie o sucesso do alto da sua merecida pausa.

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Os primeiros raios de sol acariciam as curvas tonificadas dos seus gémeos. A mulher equilibra sacos, malas e dossiers, numa caminhada apressada que ninguém ousaria interromper.

“As manhãs são viveiros de conquistas”, pensa ela, esfregando, desajeitadamente, os olhos perturbados pelo cansaço.

Para que trabalhamos nós?

A necessidade, o prazer e o vício dão as mãos e sorriem.

Trabalhamos para mais trabalhar, sem sequer conseguir uma fatia de tempo, suficientemente, descomprometida para apreciar o triunfo dessa primeira fase.

Trabalhamos para que não nos falte trabalho, como se o brio fosse um bálsamo viciante e essencial à palidez da vida recorrente.

O sucesso é um vício: delicioso, inevitável e, ainda assim, exaustivo.

Quando, finalmente, percebemos que as pequenas e grandes vitórias vão sendo engolidas pela urgência do próximo turno, já os músculos se contraem, dormentes do esforço anterior.

A eficácia é uma dádiva, sejamos claros. A excelência um dom. Os finais do dia um tempo, necessariamente, sagrado.

Desconecte-se, abandone a sua máscara laboral e, por uma vez, aproveite um par de horas descomprometidas, não planeadas, não vividas em função do dia seguinte.

Levanto a minha mão infantil e acuso-me: viciada em trabalho (workaholic, no termo sofisticado inglês).

Confesso-me deslumbrada por essa inexistente folga; assumo-me, plenamente, feliz, nessa rotina desvairada.

Levanto a minha mão infantil e pergunto-lhe: “para quê parar?”

Depois, um “eu” futuro, pintalgado de olheiras e unhas partidas responde-lhe: “para que o trabalho não seja só trabalho.”

Descanse, expire e celebre este Dia do Trabalhador no conforto da sorte que é poder produzir e da ainda maior fortuna que é reservar uns minutinhos para a celebração da primeira.

O trabalho é uma maratona: longa, resistente e constante. Esgote-se nele, salte almoços, recuse o inferior à perfeição.

Faça, contudo, da porta do seu quarto um procedimento desintoxicante, uma muralha rígida na qual morrem os músculos para que se comemorem os seus imemoriais resultados.

Caso contrário, jamais qualquer sucesso será sequer absorvido enquanto tal.

Para ouvir: Blame it on the girls de Mika

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