Gerúndio da semana: flutuando

Abandonada à exaustão de uma semana de férias ilusórias e de duas mudanças horárias horripilantes, flutuei entre personagens e refeições. Esta semana, detalhes de um verdadeiro zombie à solta na capital.

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O jet lag provocado pela, ridiculamente, pequena mudança horária Açores-Lisboa deveria ser um mito.

Não é. Sobre as minhas abundantes pestanas sinto a Ilha até à última grama de mar. A acrescentar, a tradição inexplicável do horário de Verão.

O resultado? Uma silhueta gasta que, chegado o final de terça-feira, já dificilmente se podia aguentar de pé, ou, se se podia, faltava-lhe o chão e a certeza de que a realidade não é somente um belo e grande sonho.

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Um livro: Devorei com pesar as últimas palavras de Murakami, engoli uns goles fartos de água e atirei-me de cabeça a William Golding e ao seu O Deus das Moscas. “Parece-me assustador”, disse a minha mãe depois de lhe ler a contra-capa. A mim, tem parecido, genuinamente, intrigante.

Um filme: “Vais para a cama? A seguir vou colocar Elizabeth Taylor”, ri-me com malícia. O meu pai piscou os olhos, tentou recuar ao sofá e decidiu adiar o reencontro com a actriz que me aconselhara o dia inteiro para uma ocasião menos tardia.

A retaliação? Fi-lo assistir Who’s afraid of Virginia Wolf de Mike Nichols (1966) por onde se passeou uma decrépita Taylor, esquecida da elegância da Cleóptrata de outros tempos. Vinganças à parte, o filme também protagonizado por Richard Burton é um jogo de ilusões delicioso! O desfecho é dos melhores que alguma vez vi.

Uma música (ou duas): Como apanhar um novato nestas andanças da migração estudantil: capturem-lhe as lágrimas! Estava presa numa saída de emergência com uma pequena mulher escondida sob um rosto em profunda dor de tal modo que, pela primeira vez, aproveitei um êxito de Bieber. Life is worth living inspira, sobretudo, quando nos passa a existência pelos olhos + Falling, Catching de Agnes Obel é a delicada harmonia que decidi fazer parte da banda sonora do futuro filme da minha vida.

Um sabor: Um punhado de sultanas e nozes ao natural. A começar “um mês sem açúcar”, e desprovida de energia para concluir a minha rotina de exercícios, mas banhada em boas armas contra a falta do chocolate.

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Um desejo (ou quatro): Sentir, finalmente, a materialidade do real, isto é, deixar este sentimento de meia-vida (meio sono, diria) que me tem comandado depois de esgotar as forças nos dois primeiros dias de aulas. Mais, apanhar banhos de Sol na Primavera da cidade + gravar um vlog + outros 300 posts tão amados como estes 300 primeiros.

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