Deadpool: o riso enquanto dispositivo certeiro

Ryan Reynolds protagoniza Deadpool, o novo sucesso de Tim Miller tão eficaz na construção humorística de um anti-herói como na caricaturização da sua demanda.

Um anti-herói que assassina quem se colocar no caminho do regresso do seu bom aspecto [físico]? Sim, um quase-vilão simplista repleto de charme, carisma e nada mais.

Deadpool de Tim Miller é, assustadoramente, eficaz na tecelagem de uma manta uniforme de piadas certeiras, mas falha massivamente na construção de uma narrativa apreciável.

Vezes sem conta, Ryan Reynolds, que interpreta com invejável leveza o papel de mutante sarcástico, entrega trocadilhos que jamais deixam de despertar o riso.

O humor de Deadpool revela uma arquitectura tão inteligente como há muito não se via na boca de um quase-herói.

Não erra, ou pelo menos, não aos olhos daqueles que lá vão deixando passar o óbvio pleonástico que tempera a impressionante bagagem cultural.

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O fita de Miller diverte, é certo.

Fascina, efectivamente, face ao inédito cenário da sincronia perfeita da gargalhada.

Desliza, em boa verdade, entre sorrisos e deliciosas expressões faciais que nem uma máscara de couro encarnado sabe esconder.

Reynolds é, terrivelmente, expressivo. Deadpool, cuja caracterização não facilita o desempenho do actor, é a personagem ideal para consolidar essa suspeita.

A sua voz, mãos, rosto alimentam com perícia o dispositivo que os guionistas, astutamente, souberam erguer.

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Admitamos que não conquista os nossos corações pela sua mestria cinematográfica, nem pela genialidade do impossível que retrata.

Deadpool sobrevive, sim, à custa de uma destreza humorística admirável que quase nos faz esquecer a pobreza narrativa.

Trata-se, sem pesar, de um filme básico, diferente na concretização de um herói que, pela primeira vez não se leva tão a sério, mas igual na sobrevalorização de um protagonista face à magreza de tudo o resto.

A fita de Miller é uma boa tarde de risota, um balde de pipocas e um espírito ingénuo pronto a desligar.

Com ela, até o grande ecrã se torna dispensável.

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2 pensamentos sobre “Deadpool: o riso enquanto dispositivo certeiro

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