Um mês de estórias [e favoritos]: Janeiro

Janeiro trouxe-me descanso; ofereceu-me noitadas, maratonas [de séries] e altas somas deixadas na livraria mais próxima; entupiu-me de pipocas; abandonou-me aos pijamas; salvou-me; espantou-me; encharcou-me. Eis agora o amplo desfile dos favoritos que contaminaram a minha rotina sem horários.

Peço-lhe que pare. “Já viste o céu?”, pergunto, saltando do carro para a estrada atarefada. Ao longe, o mar engole a costa sob um manto esquecido da regra.

“Acho que se está a formar um arco-íris”, responde-me a minha mãe. A brisa gélida da bonança açoriana acarinha-me os nós dos dedos, por esta altura já mais arroxeados do que o convencional.

“Vamos”, peço, de volta ao conforto do transporte, mas já enterrada na edição do magnífico momento que acabara de testemunhar.

Janeiro foi assim: inesperado, espontâneo, veloz.

Sem horários ou obrigações severas, fiz das noites manhãs abreviadas, devorando séries e páginas inacabadas que, por sua vez, me salvaram da exaustão que Dezembro trouxera.

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Invisível sob o gigante roupão de pelúcia rosa que resgatei nos saldos, deliciei-me com a escrita de Haruki Murakami.

Sempre fiel às pontas dos meus dedos, o fascinante Kafka à beira mar ousou mostrar-me um mundo que não o meu.

Uma promessa ficou, assim, preparada para este gigante 2016: quebrar os limites e, pelo caminho, apreciar a boa literatura oriental.

Janeiro matou, ainda, a minha conta bancária, encerrando-me por mais vezes do que as recomendadas na livraria.

Hoje, pilhas de livros crescem-me do chão, enquanto morre o relógio da preguiça autorizada a um ritmo assustador.

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Numa dessas [in]felizes visitas ao coração do mundo, consegui adoptar uma excelente edição de uma das minha obras favoritas de todos os tempos: As aventuras de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll.

Uma versão luxuosa, cujo reduzido tamanho e ilustrações de John Tenniel destruíram o meu auto-controlo.

No precipício do consumismo, arrisquei, ainda, umas quantas demandas pelo verniz perfeito.

Uma das vantagens – ou desvantagens, entenda de acordo com a predisposição da sua alma – de não passar de uma autêntica cigana é a solidez da desculpa para constituir duas colecções de tudo e mais alguma coisa.

Os meus achados predilectos? Got the blues da The Body Shop e Diva da Anny, cujas tonalidades anunciam os meses mais quentes que já nos piscam os olhos – ou, pelo menos, já se fazem sentir na minha imaginação.

Janeiro deu, ainda, lugar a maratonas de pilates e yoga a horas pornográficas, fruto dos muitos episódios que não consegui conter de Friends e Gossip Girl.

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Consciente da facilidade intelectual destes produtos de entretenimento, abandonei-me ao senso comum, apreciando-os pela nostalgia e pela moda como quem não tem outra preocupação no mundo.

Estandarte desta queda deliciosa foram, também, as noites de The Tonight Show starring Jimmy Fallon regadas com o meu novo chá predileto, este Pick me up da Tetley, contido no interior de um dos melhores presentes que já recebi, esta xícara florida, digna da minha pretensa classe britânica.

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Fallon apresentou-me, ademais, o novo álbum de Troye Sivan, cujo percurso acompanho, ainda era ele nada mais do que uma estrela não musical no Youtube.

Os sucessos Fools e Youth fincaram o pé na minha existência de tal modo que, até agora, estou a cantá-los com toda a minha energia.

Termino este mês de estórias marcado pela vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, nas eleições presidenciais, pelo veto de Cavaco Silva à adopção por casais homossexuais, pela entrevista de Sean Penn a El Chapo, pela queda assombrosa do preço do barril de petróleo e por tantas outras estórias que pode [re]ler aqui com três grandes recomendações.

A primeira é o inovador trabalho do The Intercept acerca da [não] série Homeland. Homeland is not a series de Laura Poitras, AJ Schnack e Charlotte Cook é uma experiência multimédia a não perder.

Por fim, o guardião da galáxia, o tratamento localizado Effaclar A. I. da La Roche Posay, cujo poder na remoção de uma crise inédita impressa na minha testa não podia deixar de mencionar, e o filme Adjusment Bureau de George Nolfi (2011), cuja irreverência no tratamento do romance me encantou, brilham com particular deslumbre por estes dias.

Resta-me desejar-lhe, caro leitor, uma feliz Fevereiro, preparando-o para o meu mês de aniversário – para um Isabeleiro, se assim entender – com a certeza de que muitos e bons momentos nos aguardam.

Aventure-se.

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