A quem servem as estatísticas?

A eleição não é um teste de matemática. Arrisque na opção errada.

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A quem servem as estatísticas?

Aos candidatos, que por elas guiam a intensidade dos seus sorrisos?

Às televisões, que com elas formulam conteúdos para encher alinhamentos de duração perigosa?

Aos eleitores, que por elas orientam a sua decisão, caindo, mais uma vez, na mentalidade do rebanho ao invés de se permitirem uma avaliação precisa dos candidatos?

Que se abre a possibilidade descarada da manipulação de pensamento através desses dados, inteligentemente avançados, é certo.

Mas há, talvez, neles uma inutilidade ameaçadora a ter em conta em dia e eleições.

Afinal, só porque a vitória ou a segunda-volta estão, estaticamente, garantidas, não tem desculpa para se abandonar ao esperado, delegando a sua sorte a um conjunto de regras matemáticas que, somente, abraçam uma minúscula fatia da população.

Este determinismo eleitoral-mediático é, atrevo-me a dizer, em grande parte até mesmo responsável pela passividade que nos tem contaminado.

Se é bem verdade que não encontrar no painel de candidatos uma única opção, verdadeiramente, eficaz para o posto é um poderoso catalisador da dormência, é, igualmente, correcto pensar que a crença num futuro imutável despromove a visita às urnas.

A sala está a transbordar. Numa fila desalinhada, homens e mulheres mais próximos da meia idade do que da juventude, esperam pelo boletim de decisão. “Número de eleitor”, exige-me a responsável apática.

Respondo-lhe, ignorando o cansaço de quem só terá trabalho no período exactamente a seguir à missa, a caminho de casa.

Talvez até sirvam aos assessores dos candidatos. Duvido. Talvez até facilitem o trabalho dos jornalistas. Provavelmente. Aos eleitores assassinam o espírito de iniciativa e a capacidade de discernir o popular do preferível.

A verdade é um exercício crítico mutável, não uma previsão tomada como certa que ora nos prega ao sofá, inanimados, ora nos faz cruzar a opção, estaticamente, correcta.

A eleição não é um teste de matemática. Arrisque na opção errada.

Para ouvir: Youth de Troye Sivan
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