Estórias imperdíveis: o barato sai caro

Deslumbrados com a recente magreza dos custos de alimentação dos nossos carros, celebramos a baixa do preço do petróleo como quem acredita que a bonança segue a tempestade. Esta semana, estórias das consequências nefastas desta evolução e a certeza de que o barato sai tão caro.

A

À esquerda, o cartaz anuncia os preços bestiais dos combustíveis. “A gasolina voltou a descer”, diz-me a condutora de serviço. 

Do outro lado da rua, o edifício baixo da estação de serviço vomita clientes entusiasmados.

“Às vezes, o barato sai tão caro”, confesso, fitando a vegetação abundante que rodeia o posto de abastecimento.

O odor agressivo do petróleo transformado inebria os meus pensamentos, por esta altura, perdidos entre os trabalhadores despedidos face a esta “feliz” surpresa e os berros agoniados dos mercados que antevêem um 2016 não muito sorridente.

Esta semana, os preços do crude atingiram mínimos históricos, descendo aos valores de 2003, anuncia a Politico Magazine.

A mais de 100 dólares por barril em 2014, o petróleo enfrenta agora uma grave crise que, embora pareça beneficiar o consumidor final, deixa antever relevantes alterações geopolíticas.

Hoje, a menos de 30 dólares por barril, um cenário único nos últimos 12 anos, a estabilidade económica e política sustentada por esta fonte de energia está, também, por um fio.

Mais de 65.000 postos de trabalho na indústria britânica de exploração petrolífera já foram eliminados, confirma o The Guardian.

Os cortes laborais não se ficam, no entanto, por aqui, isto é, outros tantos já foram anunciados pela BP.

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“Os preços elevados do petróleo estimulam a inovação energética”, comentam os analistas. 

O desincentivo às energias alternativas é uma das potenciais consequências desta baixa dos custos de utilização da energia fóssil.

Os países do Golfo Pérsico são, por outro lado, os primeiros a sentir as consequências desta evolução.

Atacados por deficits inesperados, estes governos optam pelo aumento da carga fiscal e pela redução do apoio a esta indústria central nestas sociedades orientais.

Na Rússia, garante John McLaughlin, da Universidade de John Hopkins, é necessário que o barril seja vendido a mais de 100 dólares para que se concretizem as projecções orçamentais.

just in case

Gal Luft, co-director do Instituto de Análise da Segurança Global, defende, porém, que, enquanto as reservas petrolíferas se manterem nas mãos de regimes repressivos e enquanto os transportes dependerem, maioritariamente, desta fonte de energia, o regresso aos valores de 2014 é nada mais do que certo.

Por agora, a queda da rentabilidade deste produto ameaça a estabilidade geopolítica, perturbando, ainda, a economia global.

A estes primeiros sinais de mudança adiciona-se a certeza de que, a regressar à estabilidade anterior, o petróleo – e, por consequência, os combustíveis, trivialmente, consumidos pela população geral – atingiram valores surpreendentes que tomarão de assalto a sua carteira.

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