Estórias imperdíveis: a quanto nos obriga o corpo

Nunca a herança genética nos pesou tanto. Esmagados pelo peso dos nossos corpos e dos seus caprichos, discorremos em reacções pouco justas e respostas que não correspondem aos nossos esforços. Esta semana, estórias de como a biologia nos tramou.

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Primeiro, a amígdala reage, paralisando o corpo em preparação para a luta ou para a fuga. Depois, a insula responde, determinando a sentença final.

A xenofobia, diz David M. Amodio, investigador da Universidade de Nova Iorque, pode ser explicada, em parte, como reacção imunitária dividida em duas fases. As mesmas que acompanham qualquer primeiro contacto com um objecto estranho.

O encontro com um indivíduo de um grupo estrangeiro desperta, assim, um alerta corporal provocado, essencialmente, pelo receio de contaminação.

As regiões primitivas do cérebro são as responsáveis por este processo de selecção, cujo objectivo é assegurar a saúde do delicado corpo humano.

Durante o primeiro trimestre da gravidez, a imunidade da mulher está comprometida. Coincidentemente, explica a The Atlantic, mais proeminentes são os comportamentos xenofóbicos ou etnocêntricos.

As conclusões são, por outro lado, transversais às diversas culturas.

Uma meta-análise de 24 estudos deixa clara a conexão entre o comportamento do sistema imunitário e o conservadorismo social, frequentemente, associado a tais posições extremistas.

Reféns dos nossos próprios corpos, sentimos, ainda, o peso da herança genética que, em parte, define os resultados das nossas acções, até mesmo daquilo que escolhemos comer.

Family gathering at Thanksgiving.  Adobe RGB.

Na base, está o complexo sistema microbiano. 

Responsáveis pela filtragem de tudo o que interage com o corpo humano, desde os alimentos às toxinas que populam o ambiente, os microbiomas podem impor o modo como a saúde pode ser mantida.

“Se aprendermos mais sobre estas comunidades microbianas a um nível genético, podemos projectar dietas capazes de nos tornar mais saudáveis”, avança a Quartz.

Depressão, autismo, obesidade e diabetes tipo II são algumas das patologias que podem ser ligadas a este sistema, em grande parte, herdado e definido pelos hábitos dos nossos antepassados.

Uma pesquisa da Universidade de Stanford chega a garantir que os filhos de uma mulher com uma comunidade microbiana menos diversa, dificilmente, conseguirão cultivar um sistema muito rico.

Essa pobreza pode, conclui, por seu turno, um estudo israelita do Instituto Científico de Weizmann, contribuir para a incapacidade de digerir alimentos menos saudáveis. 

É esta a justificação para o desequilíbrio nas reacções a uma mesma dieta.

O sistema imunitário é outra das vítimas da acção certeira destas comunidades que, apesar da hereditariamente definidas, podem ser, em parte, moldadas pelas nossas opções alimentares.

Perceber as características microbianas de um indivíduo é, por isso, uma das chaves para um estilo de vida mais tranquilo e saudável.

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