Desafie-se. O conforto pode matar

Prisioneiros do conforto rotineiro, deixamos correr os dias como quem vê barcos passar por distracção. O conforto é um presente envenenado. Do outro lado dessa parede, há uma selva imperdível à sua espera.

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A minha zona de conforto é um quadrado, infinitamente, pequeno. Minúsculo, mesmo.

Nas escadas encardidas da estação de metro, empilho o cartão de passageira irregular e o mapa cortado à pressa, respirando, severamente, uma nova aventura.

Os saltos tremem com gravidade. Os dedos saltitam entre versões aproximadas das áreas que, em múltiplas ocasiões, me forcei a conquistar.

A minha zona de conforto é minúscula e ainda bem. Todo o terreno que lhe fica adjacente é muito mais convidativo.

O desafio, digo-lhe eu, esse imenso sentimento de asfixia espontânea e de vómito quase saudável, é a chave da felicidade.

Mais do que sucesso, o ronronar bestial do nervoso miudinho que, tantas vezes, me arrepia a alma traz entusiasmo por uma existência fora dessa zona reduzida de calor e obesidade.

Perca-se numa nova cidade ou em novas partes da sua cidade de sempre.

Invada espaços absolutamente estrangeiros. Ignore os seus amigos e siga à aventura com pouco mais do que o dinheiro necessário para o transporte.

A vida pode muito bem ser uma barriga cheia de rotinas, sorrisos e refeições recorrentes ou pode não passar de um tremendo sentimento de solidão que, dia após dia, batalha após batalha, se transforma num vício inalienável.

Presenteados com mais um ano – uma tela em branco que nos apressamos, estupidamente, a colorir com o carácter do costume – tomemos esta oportunidade para romper as paredes habituais.

Não é que eu me dê à tarefa inútil de mudar as convicções sólidas que, há duas décadas, me sustentam.

É só que, ainda que absolutamente mordazes, temos, inexoravelmente, direito à mudança.

A evolução, uma alteração flagrante que muitos tomam como inadmissível, não só nos é permitida, é-nos aconselhada.

Enquanto nos restar terreno para desbravar, enquanto esse quadrado não se expandir, restar-nos-à fôlego e, mais do que isso, um fôlego sempre pronto a ser melhor e mais feliz.

Para ouvir: Wonderful unknown por Ingrid Michaelson
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