A próxima vítima do Netflix: o cinema

Depois de destruir o modelo tradicional de consumo das séries televisivas, o Netflix concentra-se na demolição do dispositivo cinematográfico. Será a sala escura substituível pelo ecrã em miniatura do computador lá de casa?

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12 milhões de dólares investidos na aquisição dos direitos do filme de Cary Joji Fukunaga; uma produção surpreendente e a divulgação imediata de Beasts of No Nation num dos serviços de streaming mais populares em todo o mundo.

A rotura do intervalo legal de 90 dias entre a exibição nos distribuidores e o lançamento da obra em formato “doméstico” anuncia uma, irremediável (talvez, até previsível) mudança no panorama do entretenimento cinematográfico.

Depois de extinguir a linearidade casual das séries televisivas, estará o Netflix empenhado em mudar o modelo que, actualmente, sustenta essa outra indústria multi-bilionária?

2016 trará, pelo menos, 10 outros títulos originais que, provavelmente, arriscarão a distribuição simultânea.

Quatro dos maiores exibidores norte-americanos recusaram divulgar o filme de Cary Joji Fukunaga, chocados com a decisão de distribuição da obra pelos utilizadores digitais do serviço.

Será este o início do falecimento do dispositivo cinematográfico?

Planear uma ida ao cinema, sentir-se mergulhado na obesidade de conforto dos cadeirões da sala, pobremente, iluminada e viver um filme como se esse universo possível se torna-se, naquele instante, real é parte de uma tradição centenária insubstituível pelo pequeno ecrã do computador (tablet ou telemóvel).

Se trocámos com tanta ânsia as pausas temperamentais da televisão, inundadas por publicidade e horários desconfortáveis, não o poderemos fazer com o cinema.

É que o ritual envolvido nessa segunda indústria ultrapassa o costume caseiro da reunião familiar.

Uma câmara escura [e mágica] será sempre uma câmara escura [e mágica]; pouco pode ameaçar o  seu poder hipnotizador.

Até admito a escolha ocasional pelo confortável sofá lá de casa, fora do embaraço do casal sentado ao nosso lado mais concentrado nos jogos amorosos do que no filme, mas será alguma vez plausível pensar a morte do cinema como o conhecemos?

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