Estórias imperdíveis: como salvar o mundo

As negociações transnacionais em torno das alterações climáticas ocuparam, esta semana, a ribalta. Para lá do protesto dos sapatos em Paris ou da timidez portuguesa relativa a estas matérias, trago-lhe duas outras estórias que o ajudarão a mudar o mundo.

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Na última década, a China e as seus níveis de emissão de gases com efeito de estufa têm agarrado grande parte da nossa atenção.

A solução para as preocupantes alterações climáticas passaria, pensávamos nós, irremediavelmente, pelo ataque ao desperdício norte-americano e chinês.

Num trabalho impressionante, a Wired anuncia, contudo, que será a Índia o próximo inimigo flagrante do planeta, ou pelo menos, que será esta a nação cujas decisões ao nível do abastecimento energético terão maior impacto no nosso futuro.

A Índia tomará uma decisão, mas não o fará sozinha“, escreve Charles Mann.

Actualmente, 300 milhões de indianos – cerca de um quarto da população – vivem sem electricidade.

A próxima meta da economia mais próspera do mundo (a mesma nação que mais importa armas e que, em breve, terá o maior aglomerado populacional planetário) é o enaltecimento das condições de vida dos seus habitantes, o que significa um investimento na sua industrialização.

Ao processo de desenvolvimento deste país restam, essencialmente, duas opções com consequências claras: a energia solar, cujas potencialidades são imensas, embora, verdadeiramente, dispendiosas; ou a aposta no carvão, que implicaria o aumento certo das temperaturas globais.

WIRED | India Energy

Em breve, a Índia planeia construir 455 fábricas alimentadas por carvão, ultrapassando todas as outras nações não só no seu potencial fabril, mas sobretudo na sua pegada poluidora.

Em 25 anos, esta será a nação com as emissões de carbono mais elevadas.

Às negociações que andam a marcar a actualidade mediática, a índia adicionou, com relutância, um plano que nem prevê a redução de gases com efeito de estufa.

O projecto revelado sugere, ainda, que sejam as nações mais abastadas as principais financiadoras (cerca de 2.5 triliões de dólares até 2030) do seu investimento na energia solar e eólica.

Da iminência do fatalismo climático ao advento da solução, trocamos o boom indiano pela solução ecológica proposta pela The Quartz.

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Investir ponto e meio a dois pontos do PIB global na expansão das energias renováveis e no aumento a eficiência energética seria, segundo Robert Pollin, o caminho para a redução em 40% das emissões nefastas ao planeta, no prazo de 20 anos.

Embora três triliões de dólares seriam perdidos pela indústria dos combustíveis fósseis, a saúde da economia mundial manter-se-ia graças às novas oportunidades de negócio e emprego geradas pelas inovadoras fontes de energia.

A expansão do abastecimento limpo fomentaria o desenvolvimento sustentável dos mercados de todos os países em diversos níveis.

A comparação entre o número de postos de trabalhos perdidos pelo falecimento dos combustíveis fosseis e a vaga de possibilidades criada pela alteração permite considerar esta uma boa opção.

“Sobrevivemos a uma crise financeira, podemos gerir o esmorecimento lento dessa indústria”, comenta Pollin.

Mais: The Marshall Islands are disappering por Coral Davenport, no The New York Times | The fate of the world lies between brackets por Uri Friedman, na The Atlantic.

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