Um mês de estórias [e favoritos]: Novembro

Novembro trouxe-me risos; levou-me ao limite; transformou as manhãs em noites infindáveis de cinema e histórias. Preparada para o Natal, eis agora o desfile dos poucos favoritos que, repetitivamente, habitaram a minha rotina tresloucada.

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Às escuras e ainda de olhos fechados, procuravam as minha mãos de criança o dispositivo cruel que ousava interromper o meu sagrado descanso.

Acordara pouco convencida na minha capacidade de sair da cama; adivinhava o ar gélido da manhã e o ritual demorado do pequeno almoço sem energia suficiente para os enfrentar.

Uns deslizes mágicos depois e lá estava eu a abrir o dia com uma enorme dose de boa disposição.

Novembro foi assim: desequilibrado.

Noites que pareciam não ter fim entre mais um episódio, mais um filme ou mais um página de Purity de Jonathan Franzen (cuja qualidade ainda estou a avaliar perante a sua complexidade episódica); manhãs que se estendiam em “mais cinco minutos” que, sem esforço, se transformavam em verdadeiras horas.

De regresso à minha amada estação gelada, aproveitei estes momentos de conforto dormente, deixando o cansaço invadir-me a corrente sanguínea para logo depois perceber que passaria grande parte do tempo livre do dia a trabalhar para compensar estes deslizes.

De qualquer modo, todas as manhãs preferi uma grande taça de Cereal Time, o antídoto perfeito para esta preguiça tradicional do advento [antecipado].

Apaixonada pela pronúncia de Jimmy e pela criatividade desajeitada de Charlie, comecei (e acabei) muito dos meus dias com este divertido programa.

Na sua companhia e ao sabor de um extraordinário chocolate quente do Starbucks, passei Novembro em plena antecipação para o Natal.

Todas as noites, no final da corrida esmagadora do costume, três minutos para apreciar a cara decorada do Corte Inglés e um imenso sentimento de felicidade.

Novembro fica, contudo, essencialmente, pintado pelo poder negro de uma acção terrorista que continua cavalga sem cessar.

Com o ritmo cardíaco descompassado, vivi a semana quente de Paris, critica da cobertura mediática, da dormência governamental e da iniciativa primitiva que escolhemos como resposta.

Aterrorizada, lembrava a visita à Mesquita Central de Lisboa com enorme estranheza, sentindo o privilégio de conhecer aquele mundo antes de o começarmos a ostracizar.

Novembro foi um mês de experiências.

Do andar superior, assisti à oração das duas da tarde no templo muçulmano para depois reportar a integração desta comunidade na capital; dos bancos laterais, explorei a paz de um grupo de 12 que meditava segundo as instruções de um professor da União Budista.

Se em algum momento da minha existência me senti cidadã do mundo, foi, definitivamente, neste mês de incursões inusitadas capazes de provar que romper a área de conforto é a chave para a genuína realização.

Neste mesmo sentido – e com a chegada abrupta do frio – ousei usar, desmedidamente, boinas sem me ficar pelo método fashionable (leia-se inútil) do chapéu na coroa da cabeça.

Lisboa transformou-me; acentuou a minha excentricidade, lentamente, consolidando a minha negligência pelo, convencionalmente, agradável.

Afinal de contas, para quê usar um gorro que nem as orelhas nos aquece nem se consegue aguentar nessa disposição descendente por muito tempo?

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De rosto virado ao esperado, escolho como estória predileta deste Novembro o trabalho da The New Yorker, French muslims in a time of war.

Todas as vezes que abro uma página (virtual ou real) desta revista, sinto-me inspirada pela profissão que escolhi ao ponto de decidir que são as personagens comuns os bens mais ricos deste universo.

O artigo de George Packer é uma perspectiva importante dos atentados de 13 de Novembro, ainda antes de se tornarem virais estas manifestações de solidariedade e compreensão à comunidade injustiçada.

Termino este mês de estórias e favoritos marcado pela indigitação de Costa para Primeiro Ministro, pelos atentados de Paris, Beirute e Mali, pelas eleições em Myanmar e na Argentina e por tantas outras estórias que pode reler aqui com o acompanhamento musical perfeito para os dias que o esperam.

Em primeiro lugar, uma obsessão severa: o álbum Pure Heroine da Lorde, do qual se destacam as canções Team, Love Club e Tennis Court.

Por último, e porque a época natalícia é, para mim, a estação do Jazz, o  álbum Christmas Jazz Ensemble, que já anda a popular todo e qualquer minuto livre que me resta.

Deixo-vos, queridos leitores, com a certeza de Dezembro vos trará muitos momentos especiais, repletos de magia, luz e carinho.

Se me permitem o entusiasmo, boas festas!

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