Viver em estado de sítio ou o começo de uma guerra

Em estado de emergência, andamos a semear o conflito que, pela terceira vez, terminará com o mundo como o conhecemos. Sente a mudança no ar?

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No átrio do aeroporto que, nos últimos dois anos, se tornou numa genuína terceira casa para mim, dois homens, seriamente, armados denunciavam o desaparecimento dos tempos de paz.

“Estamos a viver em estado de sítio”, pensei, cruzando os seguranças que, habitualmente, pouco mais carregavam que a sua vontade de impor respeito.

Paris, Beirute, Mali e todas as subsequentes ameaças, cujo auge foi atingido, digo eu, em Bruxelas são sinais assustadores de uma outra realidade.

Um dia, fomos filhos da tranquilidade, dos protestos pacíficos e da luta pelos direitos humanos.

Hoje, a caminho de casa, todas as noites, lá vou eu ouvindo o noticiário das seis anunciar mais um avanço bélico no território sírio.

E começa assim a terceira guerra mundial“, avisei eu a minha mãe na noite seguinte ao imortal 13 de Novembro.

Do outro lado do ecrã azulado, a mulher de pouco mais de 50 anos piscou os olhos, franziu os ombros e repetiu, pensativamente, aterrorizada o regresso à era da incerteza.

Lembra-se ela com imensa dor dos dias da Guerra Colonial; das partidas e do conhecimento quase irrevogável da morte dos irmãos que lhe partiam.

Mergulhados numa sede orgulhosa que jamais justificaria o derrame insano do nosso sangue, íamos vivendo sem saber o que esperar do dia posterior.

41 anos depois, cá estamos aqui de novo: desolados e cientes de uma guerra que tão longe nos atraiçoa intimamente o espírito.

De regresso às armas (hoje a uma escala tremenda que mal pode esperar por conquistar o planeta no seu todo) renasce esse horror que julgávamos perdido.

Em caso de atentado, corra; não se finja de morto“, intitula o Observador os conselhos emitidos pelas autoridades britânicas.

Pronta para correr e com o coração em sobressalto, lá me decido pelo dia a dia corriqueiro agora pontuado pelo exame geral de cada espaço que ocupo.

Identificar segurança. Identificar saída de emergência. Identificar potenciais esconderijos. Analisar companheiros de viagem“, repete a voz muda da minha certeza de que podemos dizer adeus à pacificidade que andamos a tumultuar por gozo durante tanto tempo.

Não é que ande, especificamente, paranóica, não me entenda mal, caro leitor, mas é que a guerra está, parece-me, irreversivelmente, instalada.

O ar está mais pesado. Cada respiração é agora um movimento consciente do avanço progressivo de mais planos, estratégias e ofensivas que alinhavam o fim (o terceiro fim) do mundo como o conhecemos.

Mais: Ameaça “precisa e iminente” deixa Bruxelas em estado de sítio por Sofia Lorena, no Público.
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