The man from U.N.C.L.E diverte, seduz e deslumbra

Guy Ritchie ressuscita The man from U.N.C.L.E. numa longa-metragem imperdível protagonizada por Henry Cavill, Ilya Kuryakin e Alisha Vikander (igualmente, excelente, em Ex Machina de Alex Garland). Uma cápsula de perfeição da visibilidade à profundidade:

“Para um agente especial, não está a ter um dia muito especial”, sorri, ironicamente, Waverly (Hugh Grant) a Ilya Kuryakin (Armie Hammer), um espião russo que, em parceria com Napoleon Solo (Henry Cavill), um profissional do C.IA., tenta desmantelar uma organização criminal empenhada na proliferação de armas nucleares.

The man from U.N.C.L.E. de Guy Ritchie é uma reinvenção inteligente e bem humorada da série televisiva homóloga, que nos anos 60, encantou multidões.

Desta feita, o filme protagonizado por Hammer, Cavill e Alisha Vikander, na pele de Gaby, a filha do cientista raptado e forçado a terminar a arma em causa, oferece ao espectador 116 minutos de pura perfeição.

Do guarda-roupa à fotografia, passando pela banda sonora até ao elenco de luxo, a fita de Ritchie conquista, automaticamente, um lugar no topo da minha lista de filmes predilectos.

THE MAN FROM U.N.C.L.E.

A colaboração improvável do agente da K.G.B. e do espião americano em nome de um bem maior (a segurança do mundo) promete, desde logo, uma tensão interessante que, progressivamente, nos agarra, faz rir e deixa curiosos.

Ilya e Solo encarnam dois géneros distantes de espionagem que, nesse contraste, definem não só estas personagens, mas, também, o carácter das nações para as quais trabalham.

Gaby, uma mecânica a viver, inicialmente, em Berlim, é a adição perfeita a esta dupla.

Não se engane, Vikander não se assume como uma típica Bond Girl. 

A sedução que imprime ao enredo é mais subtil e irreverente do que qualquer outra dessas personagens femininas clássicas.

Gaby é, por um lado, tão forte quanto os espiões com os quais partilha a missão e, por outro, bem mais astuta do que eles.

As mulheres de The man from U.N.C.L.E. são, efectivamente, admiráveis.

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Gaby e Victoria (Elizabeth Debicki), a vilã do outro lado da narrativa, são tratadas com uma igualdade brilhante.

Têm poder e feminilidade sem cair nem no estereótipo da donzela em perigo nem do hábito da heroína solitária.

A filha do cientista que construiria um dispositivo nuclear em plena guerra fria é, além disso, um perfeito instrumento de caracterização das personagens com as quais divide as atenções.

O modo como Ilya e Solo se relacionam com Gaby diz imenso sobre, respectivamente. a sua timidez terna e o seu respeito digno.

Os protagonistas são, apenas, uma das incontáveis vantagens das quais beneficia este filme.

HENRY CAVILL, ALICIA VIKANDER in film The Man From U.N.C.L.E : movie directed by Guy Ritchie starring Henry Cavill, Armie Hammer, Hugh Grant; Spy; Espionnage; Action; film; cinema; movie; american; Agents très spéciaux - Code U.N.C.L.E; 2015 NOTE: this is a PR photo. SUNSETBOX does not claim any Copyright or License in the attached material. Fees charged by SUNSETBOX are for SUNSETBOX's services only, and do not, nor are they intended to, convey to the user any ownership of Copyright or License in the material. By publishing this material, the user expressly agrees to indemnify and to hold SUNSETBOX harmless from any claims, demands, or causes of action arising out of or connected in any way with user's publication of the material

A banda sonora é um verdadeiro paraíso.

Daniel Pemberton utiliza com mestria as cadências sonoras na criação de ambientes irónicos, deslumbrantes e repletos de reviravoltas inesperadas.

Há em The man from U.N.C.L.E. um fascínio permanente que, em parte, advém do glamour inegável dos anos 60 e, em parte, resulta da coerência que mantém sem pudor ou vontade de exagerar.

A longa-metragem de Ritchie é tão suave que engole as duas horas sem pesar, deixando, no último minuto, o espectador a pedir [muito] mais.

As cores são tão reais que quase consegues prová-las“, explica Uncle Rudi (Sylvester Groth) a Solo, momentos antes de o tentar electrocutar.

Em The man from U.N.C.L.E. todos os elementos sofrem dessa palpabilidade que impinge uma animação constante capaz de fazer rir e pensar num único piscar de olhos deslumbrante.

Para ouvir; A last drink Take you down de Daniel Pemberton
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