Um mês de estórias [e favoritos]: Outubro

Outubro trouxe-me felicidade; levou-me à exaustão, arrancou-me da preguiça e mostrou-me como cada dia pode ser uma porção infinita de trabalhos, sorrisos e refeições; insistiu no excesso, encharcou o meu enorme chapéu de chuva e transformou cada momento numa aventura de energia fugaz e tremenda. Eis agora o desfile dos favoritos estranhos que povoaram esta romaria.

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Vinha exausta. A avenida, sedutoramente, inclinada puxava pelo que restava da minha vontade de chegar a casa antes que a noite nascesse.

“De que estão eles à espera para inventar o tele-transporte?”, mastigava num misto de fúria e humor azedo de quem, à seis da tarde, já não consegue equilibrar a fome, a confusão, a pasta do computador e a mochila em estado de graça.

O dia esmorecia num sufoco húmido que o Outubro lisboeta, irritantemente, insiste em divulgar.

Olhei para o céu, deslumbrada pela verticalidade e, naquele momento, todo e qualquer avanço tecnológico, previamente, desejado parecia uma completa banalidade de quem toma o stress por mote.

Estava ali, nos meus olhos cristalizados, o ângulo perfeito do encontro da História com a renovação. 

Arrisquei uma queda brutal da carga que trazia e encapsulei esse momento; essa coincidência feliz sobre um fundo azul profundo, quase desmaiado.

Outubro foi assim: perigoso, espontâneo, exaustivo.

Repleto de pequenas experiências que, sem aviso, transformaram essa máscara rígida que oferecia ao mundo numa gargalhada genuína.

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Da primeira chuvada a sério às aulas interrompidas pela percepção deliciosa do aroma pouco convencional a toranja e menta do Herbal Essences Nude Champô – cujo desempenho tenho que garantir excepcional – passeei entre sorrisos e trabalhos, atarefada até dizer chega e completamente grata pelo dom da respiração.

Nas unhas, o sucesso Flowerista da Essie; nos lábios, o toque da minha nova xícara da H&M que me diz para ser feliz às bolinhas; no coração, o imenso prazer deste Caramel Brownie Chocolate da Lindt, frequentemente, substituído pela infusão de caramelo e chá preto da Lipton.

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Em Outubro, fui gulosa: saltei entre o excesso da corrida absurda e o coma motivado pela pizza bem cozinhada devorada ao sabor dos muitos  filmes que este mês me trouxe.

Os meus preferidos: Welcome to me de Shira Piven (2014) e Ninotchka de Ernest Lubitsch (1939).

Entre uma vencedora da lotaria que sofre de um distúrbio de personalidade e apresenta um estranho talk show e um grande clássico do cinema americano, aninhei-me nas primeiras temperaturas baixas da estação.

Kristen Wiig protagoniza o primeiro, dotando-lhe daquele ar inusitado que só o humor pouco frequente pode ter.

Welcome to me é um drama, perfeitamente, cómico, que trabalha o egocentrismo, a evanescência da fortuna e o amor.

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Do outro lado, Greta Garbo desfila-se numa fita romântica acerca da relação entre a doutrina soviética e o encanto parisiense.

“Estou à procura da Torre Eiffel”. “Voltamos a perdê-la?”, responde Leon (Melvyn Douglas) num sorriso que deixa antever o verdadeiro engenho de uma relação de sonho.

De um sonho para outro, a The New Yorker pergunta, este mês, se nos poderemos ver livres de Alice.

Num curto artigo, Adam Gopnik descreve a supremacia transtemporal de Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll, uma obra infantil que tem entretido gerações de filósofos e pensadores.

O sem-sentido, uma autêntica predilecção minha,  em destaque num mundo linear de abstraccionismo concreto.

Termino este mês de favoritos, que ficou marcado pela vitória do PSD, nas eleições legislativas de 4 de Outubro, pelo encerramento de dezenas de agregadores piratas de séries de televisão e filmes, pelos avanços do exército sírio, pelos ataques contra os dirigentes do Estado Islâmico, pela preparação da nossa migração para Marte (e por tantas outras estórias que pode reler aqui), com uma sugestão que até a mim me surpreende.

The Flash -- "Fast Enough" -- Image FLA123A_0159b -- Pictured (L-R): Danielle Panabaker as Caitlin Snow, Grant Gustin as Barry Allen, Rick Cosnett as Detective Eddie Thawne, Candice Patton as Iris West, and Jesse L. Martin as Detective Joe West -- Photo: Diyah Pera/The CW -- © 2015 The CW Network, LLC. All rights reserved.

Em três dias, mais de vinte episódios de The Flash foram consumidos por uma versão curiosa da minha pessoa.

Na segunda temporada e a explorar a questão interessante da Filosofia dos Mundos Possíveis – outra obsessão de longa data – a série conta a história de Barry Allen, o homem mais rápido do mundo.

Deixo-vos, caros leitores, ao som de Shimmer de Tracey Chattaway ou de Team de Lorde, na esperança de que este advento prolongado que se segue vos traga grandes copos de chocolate quente, boinas coloridas e memórias valiosas.

Tenham um Outono apaixonante!

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