De câmara e mochila às costas pelo mundo

Vencedor do prémio National Geographic para Melhor Fotografia Lugares, em 2009, Hugo Machado confessa-se apaixonado pelo mundo. Geólogo, fotógrafo e viajante, Hugo arrecada histórias e fotografias que não vai querer perder.

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Gurung – Flores, Indonésia

Esta noite, a aldeia está em festa. Sob o luar tranquilo, ouvem-se risos abundantes e o canto animado que o chefe de pele escura e vestuário exótico arrisca.

A Hugo, que ali chegou numa pequena mota “por caminhos remotos e esburacados por entre campos de arroz”, é pedido, por fim, que entoe algumas canções típicas da sua nação natal.

Erro o deles, pois nunca me tinham ouvido cantar; mas, enfim, lá arranhámos uns fados e umas músicas tradicionais”, recorda, divertido.

Tratado “como um rei”, nesta comunidade esquecida na Indonésia, o primeiro português a ser distinguido com o prémio National Geographic para Melhor Fotografia Lugares, em 2009, confessa-se, antes de tudo, apaixonado pela viagem e por estas “experiências culturais cada vez mais raras, num mundo de turismo globalizado”.

Aos 35 anos, Hugo Machado já andou por [quase] todo o lado.

Do Peru à Jordânia, passando pela Índia, Nepal, Birmânia, Camboja, Laos, Vietname, Austrália, Nova Zelândia, Omã, Egito, Namíbia e Indonésia, continua a reforçar que “a vida não vai dar para fazer tudo o que quer”.

Foi numa destas muitas expedições que o açoriano captou a fotografia seleccionada de entre mais de 200.000 imagens.

Vulcão Licancabur - Bolívia
Vulcão Licancabur, Bolívia – Fotografia premiada

A caminho do Chile, num jipe que rasgava escuridão e os pequenos rios que a rota a corta-mato oferecia, Hugo sentia o peso da câmara sobre o colo, o vento ruidoso e o paralisante frio que, então, se fazia sentir naquele planalto boliviano.

Fotografia é estar no sítio certo, no momento certo”, sublinha.

A madrugada nascia curiosa. O grande vulcão Licancabur desenhava-se ao fundo sob um céu, estranhamente, revoltado.

Estava tudo perfeito: a luz, o enquadramento e a nuvem, claro, que é o que faz a foto”, relembra o terceirense que se dedica, profissionalmente, à Geologia.

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Kata Tjuta, Austrália

Hugo diz admirar quem se sacrifica e aposta no mundo da fotografia, mas confessa que se tivesse de o fazer como fonte de rendimento, provavelmente, perceberia o desvanecimento desta sua paixão.

Quando começou esta jornada, na altura em que trocou os Açores pela capital e ingressou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, fotograva, ainda, em filme e, rapidamente, descobriu uma forte predileção por esta arte.

O digital, confessa, trouxe, contudo, a sua massificação e, consequentemente, o aumento da concorrência neste universo.

A trabalhar, actualmente,  em Londres, na indústria petrolífera, Hugo lamenta já não ter a mesma disponibilidade para conhecer o mundo de que há uns anos desfrutara.

Viaja menos, mas sempre com mesmo entusiasmo por experimentar o que a natureza e as diversas civilizações têm para oferecer, ainda que o cartão de memória traga menos recordações.

Dos Açores traz uma imensa apreciação, científica e estética, pelas paisagens.

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A beleza que congela através da sua lente salienta ser aumentada, quando se percebe a origem desses monumentos naturais.

Hugo combina, assim, a Geologia à fotografia, levando-as sobre os ombros nas múltiplas aventuras que acredita serem um dos maiores prazeres da sua existência.

Para ouvir: The stars that fell over that night por Fabrizio Paterlini
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