Estórias imperdíveis: são os refugiados terroristas?

Multiplicam-se as centenas de milhares de refugiados a inundar o território europeu, muitos deles já sem identificação ou verdadeira forma de controlo. Estará a Europa a abrir-se a quem não deve ou será o medo um ato cobarde de quem não quer ajudar?

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Mais de 10.000 protestantes marcharam pelas principais artérias de Varsóvia, capital da Polónia, contra a entrada dos refugiados orientais que, nas últimas semanas, têm inundado o espaço europeu.

“Os migrantes são uma ameaça à nossa cultura. Eles não se adaptarão à nossa sociedade”, salientava Miroslaw Kadziela, 24 anos, à medida que ecoava o slogan “Hoje refugiados, amanhã terroristas”, reporta o The Independent.

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Embora em Poznan, Krakow, Gdansk e Estetino, cidades polacas, algumas centenas de manifestantes defendessem o acolhimento daqueles que chegam à Europa cansados da guerra e da precariedade, o receio tem marcado as últimas reacções a esta crise humanitária.

Segundo Elias Bousaab, ministro da educação libanês, estes migrantes estão bastante permeáveis à sedução do Estado Islâmico, já que pouco lhes resta.

“Sem trabalho, esperança, educação [ou meios de subsistência], tornar-se-ão fáceis de recrutar”, relembra o representante ao Internacional Business Times.

No mesmo sentido, à Rádio Renascença, o pontífice fez saber que, apesar de ser dever da Europa acolher aqueles que procuram auxílio, o perigo  terrorista é iminente.

O papa realça o “perigo de infiltração”, reforçando que a 400 quilómetros da Sicília está a desenrolar-se “uma guerra, sumamente, cruel”.

O pânico produzido por esta possível ameaça tem, ainda, ultrapassado os órgãos oficiais, gerando campanhas virais de alerta e acusação nas redes sociais.

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Laith Al Saleh tornou-se, rapidamente, no estandarte deste risco, quando a fotografia que o retrata à entrada da Macedónia permitiu identificá-lo [pretensamente] como militante do Estado Islâmico.

Já sem barba e sem o uniforme do grupo armado, Laith seria um jihadista determinado a levar a missão islâmica ao “continente infiel”.

A identificação do migrante comprova, contudo, que o sírio de 30 anos tem lutado não a favor do terrorismo, mas do Exército Síria Livre, do qual foi comandante, confirma a SIC Notícias.

Esta não é, porém, a primeira vez que a fronteira da Macedónia é palco deste género de ameaça.

Na segunda semana de Setembro, a estação televisiva búlgara NOVA TV revelou a detenção de cinco refugiados, cujos telemóveis estariam, alegadamente, repletos de propaganda do Estado Islâmico.

No território macedónico, contaram com o apoio de um cúmplice, que os esperava com um automóvel, na sua tentativa de fuga. As forças de segurança búlgaras acabariam por frustrar os seus objectivos.

Sintomas de uma ameaça real, estes últimos casos são, simultaneamente, alertas a ter em conta no estabelecimento das políticas europeias de redistribuição dos refugiados e, por outro lado, detalhes de uma crise gigantesca que não pode tomar o pânico como armadura pouco solidária.

Fotografia em destaque por Umit Bektas/Reuters
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