Estórias imperdíveis: de onde vêm os refugiados?

Choramos a morte de Aylan Kurdi, gritamos o desvio dos refugiados para um campo, na Hungria, apoiamos as palavras sábias de Kinan Masalmeh, defendemos a distribuição destes povos deslocados pelo espaço europeu, mas estaremos conscientes da verdadeira origem desta crise humanitária?

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Uma em cada 122 pessoas é hoje refugiada, migrante ou está à procura de asilo. “O mundo está uma confusão”, confirma o presidente da Agência da ONU para Refugiados.

À Europa chegaram entre Janeiro e Março deste ano, fugidos dos conflitos armados, da acção terrorista do Estado Islâmico e dos Talibã e da degradação das condições de vida, cerca de 48.875 pessoas provenientes do Kosovo, 29.100 da Síria e 12.910 do Afeganistão.

Estas são as três nações orientais que mais obrigam os seus habitantes a partir, mas, segundo o Eurostat, a lista é, incrivelmente, longa.

Na Síria, no Iraque, no Iémen e na Líbia,  8.850 escolas estão encerradas, deixando mais de 13 milhões de crianças sem acesso à educação, avança o Público.

No Kosovo, um Estado, apenas, parcialmente reconhecido, o desemprego jovem chega a rondar os 55 por cento, sublinha o The Independent.

A voz de Kinan Masalmeh, um menino de 13 anos que pede que ajudem a Síria para que os deslocados como ele consigam regressar a casa, anda a correr e a emocionar o mundo.

Mas a que, realmente, estão sujeitos estes asiáticos que se vêm forçados a deixar as suas nações?

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Milhões de habitantes de Damasco, a capital da Síria, e de Alepo, a segunda maior cidade desta nação, estão a ser, estrategicamente, privados de água canalizada e de electricidade.

Trata-se, efectivamente, de uma táctica das partes em conflito para pressionar os espaços urbanos divididos e tomar, finalmente, o seu controlo, garante o The Telegraph.

A rede de distribuição de água ficou, por outro lado, gravemente comprometida, na sequência dos múltiplos bombardeamentos dos últimos anos.

A Cruz Vermelha alerta agora para o risco crescente da proliferação de flagelos como a febre tifóide e a cólera.

O impacto destrutivo do conflito é sentido, ainda, pelos milhões de crianças que não podem ir à escola.

O relatório publicado pela UNICEF, esta quinta-feira, revela que a ausência de educação é um dos motivos da deslocação em massa dos sírios em direcção à Europa.

Na Faixa de Gaza, os estabelecimentos em questão são utilizados como abrigos pelas famílias desalojadas pela ofensiva militar israelita, no Verão de 2014.

No Iraque, três milhões de refugiados concentram-se nestes edifícios, impedindo o seu devido uso.

Só na Síria, mais de 52.000 professores deixaram o seu trabalho, já que os pais receiam deixar os filhos ir à escola por razões de segurança.

Na nação natal de Kinan, a guerra já provocou 7,6 milhões de migrantes e 4 milhões de refugiados, noutros países.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, propôs, esta quarta-feira, a criação de um mecanismo permanente de redistribuição automática dos refugiados.

As “quotas obrigatórias de partilha de responsabilidade”, apoiadas pela França e pela Alemanha, têm de ser, contudo, somente um dos vectores de resposta a esta crise, já que, para além de resolver o dilema do acesso ao espaço europeu, é, antes de mais, necessário auxiliar as nações de origem destes refugiados.

Os conflitos comprometeram os meios de subsistência das famílias, levando as crianças ao trabalho ou ao casamento prematuros.

Alguns jovens, privados da educação a que têm direito ou de um emprego decente, decidem-se pelo alistamento nos grupos armados envolvidos nos conflitos, salienta a UNICEF, alimentando o círculo vicioso de violência, pobreza e, irreversivelmente, de migração.

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