Acreditas que consegues fazê-lo?

A história de Pepper Busbee (Jakob Salvatti) e da sua corajosa demanda pelos caminhos árduos da fé, da amizade e da perda preenchem os 106 minutos do mais recente filme do realizador de Bella, Alejandro Monteverde. Controverso, de lágrima fácil e, no entanto, profundamente, inspirador, Little Boy merece a atenção dos públicos que, mesmo cépticos, o vão adorar.

No aniversário dos 70 anos do bombardeamento de Hiroxima, Little Boy (Pequeno rapaz, em Portugal) arrisca uma perspectiva polémica sobre o final da segunda Guerra Mundial.

Desolado com a partida do seu pai (e grande companheiro) para o conflito, Pepper Busbee (Jakob Salvatti) descobre na fé em si mesmo a solução para esta separação tão dolorosa.

“Se eu tiver fé suficiente, nada é impossível, certo?”, questiona o rapazinho loiro. O homem de batina e expressão curiosa confessa-lhe que acreditar é um pequeno passo numa cadeia complexa que, sem ele, jamais poderá ser desencadeada.

O filme de Alejandro Monteverde é alimentado pelo fragmento cristão “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, nada vos será impossível”, mas ultrapassa, notavelmente, esse seu aparente carácter religioso.

Little boy não é o retrato da descoberta infantil do poder de Deus; é a galante narrativa da procura pela fé em si próprio, mesmo que este seja um sentimento quase ateu ou mágico.

Pepper inicia a sua jornada num teatro, onde o seu super-herói predilecto, Ben-Eagle (Ben Chaplin), o convida a mover uma garrafa com a força da sua mente. Que filme religioso aceitaria este género de magia como premissa?

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Embora seja guiado pelas âncoras cristãs à reconciliação com a comunidade que o segregara em razão do seu diminuto tamanho – Pepper sofre de nanismo não diagnosticado – é em nome do amor a James Busbee (Michael Rapaport), que o rapaz de olhos azuis faz mover uma montanha e, derradeiramente, cair a infame bomba sobre o território japonês.

O tratamento leviano e unilateral desse acontecimento – tomado, apenas, como símbolo de um tão aguardado regresso – deixa bastante a desejar, desviando o rosto do espectador desta questão tão importante: os danos colaterais da nossa jornada confiante até à concretização de cada sonho e desejo.

A fita de Monteverde comete o erro crasso de recusar adicionar ao seu reportório mais um dilema a debater. É, todavia, uma eficaz denúncia do alcoolismo, da discriminação e da violência que marcaram – e, honestamente, continuam a marcar – a sociedade dos anos 40.

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O imaginário de Pepper e James, transporto para o filme pelos planos à western, é, por outro lado, delicioso e adorável.

Este não é, por isso, um calhamaço reflexivo, duro de roer e devorar, mas sim uma bela dentada de verdade e esperança, elegantemente, pintada e vestida.

“Agarrei o meu grão de mostarda, porque a jornada ainda não tinha terminado”, ouve-se dizer Pepper, cuja prestação comove, diverte e surpreende.

Esta é, assim, uma bela aposta cinematográfica para um qualquer final de dia em que, subtilmente, se queira questionar acerca de como se vive nos bastidores distantes de um guerra.

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