Salada de estórias: 03 de Agosto

A queda desastrosa da bolsa grega, o pedido de ajuda à Europa dos ministros do interior inglês e francês face ao agravamento da situação dos migrantes e a nova proposta energética de Obama marcam esta segunda-feira a par de duas outras estórias bem menos convencionais.

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O regresso do “made in U.S.A”

“As razões pelas qual instalámos a Keer aqui? Os subsídios, o território, o ambiente e os trabalhadores”, confessa Zhu Shanqing, presidente desta empresa têxtil, ao The New York Times.

O aumento dos custos de produção na China estão a levar algumas indústrias a outros países, economicamente, mais favoráveis, nomeadamente à Índia, ao Bangladesh, ao Vietman e, progressivamente, aos Estados Unidos da América.

Keer, um empresa dedicada ao fabrico de algodão, mantém, ainda, a maioria dos seus teares no continente asiático, embora, venha , lentamente, assumindo a nação americana já não, somente, como fornecedora de matéria-prima, mas também como potencial fonte de mão de obra.

O aumento dos salários, dos custos energéticos e logísticos e as quotas governamentais relativas à importação de algodão estão agora a ameaçar a indústria têxtil chinesa.

Do outro lado do oceano, o desemprego e o desespero por um posto de trabalho, a expansão da precariedade laboral e a estagnação salarial contribuem para a atenuação imprevisível entre estes dois países.

Há 25 anos atrás, Ni Meijuan recebia 19 dólares por cada mês de trabalho no tear automático de uma fábrica na cidade chinesa de Hangzhou. Hoje, Meijuan vive no Carolina do Norte, estado americano, onde ensina os operários americanos a exercer essa mesma função.

Sem Título

Um papa virado à esquerda?

“É impossível pensar no Papa Francisco sem Juan Péron e a sua esposa, [a famosa] Evita”, escreve Nick Miroff, no The Washington Post.

A mês e meio da primeira visita do líder da Igreja Católica aos Estados Unidos da América,  as suas convicções ideológico-políticas ganham especial relevo face à particular critica que tem dedicado ao capitalismo desenfreado e à destruição ambiental.

A opinião veemente é a de que Francisco é esquerdista; a de que conserva princípios marxistas sob as vestes brancas“, reforça Miroff num palpite que Julio Barbaro, colega do pontífice nos anos de universidade, considera “absurdo”.

O papa é um peronista“, explica Barbaro, referindo-se à doutrina do líder argentino Juan Péron que condenava tanto a ideologia da mão invisível quanto a teoria utópica da igualdade pela luta de classes.

O peronismo “tenta unir as classes sociais pela acção de um comandante forte e autoritário, centraliza o Estado Social e investe num nacionalismo quase religioso”, sublinha o jornal.

No pós-guerra, muitos argentinos cederam a esta promessa política. Jorge Mario Bergoglio, então um jovem estudante, não foi excepção.

“Ele sempre seguiu a política e o futebol, porque eram esses os interesses dos seus paroquianos”, revela Barbaro.

Embora se tenha mantido afastado desta esquerda radical, no laboratório onde trabalhou, o pontífice tomou por mentora Ester Ballestrino, uma paraguaia feminista e militante do partido comunista que o envolveria, remotamente, em algumas das suas lutas.

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