Um mês de estórias [e favoritos]: Julho

Julho trouxe-me espontaneidade; levou-me a banhos de mar e a luares de cortar a respiração; fez renascer aos meus olhos este cansado arquipélago; seduziu-me, alterou-me, motivou-me. Eis agora o desfile dos infindáveis favoritos deste mês que me escapou sofregamente qual mão cheia de areia e brisa oceânica.

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Saída de um casamento tornado arraial popular, fui capturada por um magnífico pôr do sol que, lentamente, invadia o manto azul-prata desse mar infindável dos Açores.

Os dias de Julho foram assim: rápidos, rotineiros e desequilibrados pelos múltiplos momentos e passeios não planeados que ousaram perturbar diversas vezes o meu quotidiano.

Quantas manhãs conquistei de pijama listrado e xícara de chá verde em punho a terrível vontade de permanecer mais dez minutos nesse mundo de estórias tão fértil quanto colorido. De olhos semi-cerrados lá aspirava eu as minhas torradas com compota de mirtilo enquanto me gritava a Euronews os destaques da manhã.

Neste último parágrafo, uma mão cheia de favoritos: o conjunto às riscas cuja textura quase severa me auxilia no combate à insónia; o noticiário alternativo e cosmopolita desse interessante canal de televisão, e a coragem de abrir as pestanas e alinhavar pensamentos, quando a manhã ainda mal nasceu.

Esses começos, incrivelmente, iguais fizeram Julho voar, perder-se no consumo rápido de episódios, vídeos, refeições e idas à praia. O serões, por outro lado, teimavam em estender os dias até ao inacreditável limiar dos primeiros raios da madrugada.

Todas as noites, quando a humidade sufocante (de que já falei aqui) se deixava domar, entregava-me ao ritmo compassado e exaustivo do salto à corda.

Correr em casa é um mito humorístico: impossível de cumprir! Meia hora depois, inundava a cozinha sedenta por um gole refrescante após aquele esforço tão delicioso.

Nos dias em que os gémeos insistiam no repouso, respondia-lhes, travessamente, com uma caminhada arejada. Os meus pulsos puxavam, levemente, a trela de uma companheira cansada pelo meu ritmo habitual, mas eu prosseguia firme, decidida a tonificar as suas curtas patas.

Num desses passeios, vi a luz bailar nas tenras folhas do milho que há-de ser: inspirei-me. Na mesma noite, surgiu-me Helena com todos os seus requintes de malvadez.

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Quando já não havia luz, migrava para o pequeno ecrã, abandonando-me às sucessivas xícaras da minha infusão predilecta: Mirtilos e Açai.

“Não te lembra nenhuma outra bebida?”, perguntei à minha mãe, passando-lhe uma chávena quase a transbordar com o líquido escaldante – eu sou mesmo assim: exagerada. “Não sei bem a que me sabe”, piscou-me ela os seus olhos verde-feijão.

Com os lábios colados à porcelana delicada, expliquei-lhe que me transportava, directamente, para a minha infância, ou melhor, para os dias infantis em que, do Canadá, recebera um sumo em pó com o mesmo sabor.

“Já me lembro. Até tentámos fazer pipocas com esse produto, não foi?”, sugeriu.

Gargalhámos até tarde, apreciando o chá fumegante, a companhia e o nosso filme preferido do mês: The Majestic de Frank Darabont.

A fita protagonizada por Jim Carrey, Laurie Holden e Martin Landau reaviva, brevemente, os bastidores da Hollywood dos anos 50 e mergulha, profundamente, numa pequena cidade, onde Peter Appleton (Jim Carrey) se torna Luke Trimble, um soldado honrado, adorado pela população e prestes a casar.

Carrey interpreta, fascinantemente, a possibilidade de escapar a si próprio. The Majestic recomenda-se a todos os fãs da velha e admirável reinvenção do perdido.

Do grande ecrã para a vida real, as estórias proliferam e encantam. A mais curiosa: How to sell the most cookies por Malia Wollan, na The New York Times Magazine.

Katie Francies tem 13 anos e vendeu 22.200 caixas de bolachas Girl Scout, quebrando o recorde do mundo, que tinha estabelecido em 2014.

Apresente-se e aja profissionalmente, mesmo que seja uma criança“, aconselha Katie num artigo divertido, mas, certamente, útil. A jovem vendedora está agora a ser muito solicitada para dar palestras em universidades de gestão e economia.

Termino este mês de estórias e favoritos marcado pela confusão das negociações helénico-europeias, pela vitória do “não”, no referendo grego, pela demissão de Varoufakis, pelo início do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior e pelos ataques turcos ao Estado Islâmico (e por muitas outras estórias contadas aqui), com duas últimas recomendações.

Em primeiro lugar, a exposição de fotografia O mundo é a minha ilha por Hugo Machado, o primeiro português a conseguir o prémio National Geographic pela Melhor Fotografia Lugares, em 2009. A mostra, que estará patente na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada até 18 de Setembro, apresenta olhares arrebatadores dos mais variados recantos do planeta.

Por último, este rápido – mas deveras engraçado e revelador – passeio ao longo dos tempos pelas múltiplas formas de exercício físico então em voga. 100 years of fitness in 100 seconds promete arrancá-lo do sofá.

Para ouvir: ID por Kygo
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