Estórias imperdíveis: um bom desaniversário

2015 marca o 150º aniversário do melhor e mais famoso exemplo literário do absurdo, Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll. O meu escape ficcional predilecto e todas as estórias que o rodeiam ocupam, esta semana, a ribalta da compilação habitual.

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Até 31 de Agosto, os Jardins de RHS Wisley, no Reino Unido, recebem a iniciativa Adventures in wonderland  [aventuras no país das maravilhas], um conjunto de exposições, actividades, workshops e concertos que celebram a obra de Carroll.

O programa inclui mesmo um chá temático que invoca a deliciosa festa em que Alice e o Chapeleiro Louco se conhecem. Pelo recinto estarão distribuídas estátuas de bronze das figuras principais do conto. Alice poderá, finalmente, conhecer um Gato e uma Lagarta bem mais materiais do que aquelas a que o autor a condenara.

O projecto deverá agradar miúdos e graúdos, já que a história do escritor inglês parece permanecer fiel aos seus leitores em todas as idades. As múltiplas exposições, crónicas e teorias que ainda hoje motiva comprovam essa sua atemporalidade.

É esta a opinião de Azar Nafisi, escritora e professora norte-americana, que se revela, numa crónica, na Salon, fã de longa data do conto.

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A curiosidade leva a criança em nós a procurar o conhecimento e a recusar manter-se inocente em relação ao mundo“, escreve.

Alice, que lhe foi apresentada em criança pelo pai, integra o manancial de personagens descobertas ainda na sua infância que diz guardar e reler até hoje.

Nafisi confessa-se uma visitante frequente desse mundo sem sentido, num quotidiano atarefado entre a realidade e o país das maravilhas: entre o “ser” e o “vir a ser”.

Segundo a escritora, o motor do universo carrolliano – e do funcionamento do Homem em geral – é a questão “quem és tu?“, colocada a Alice pela Lagarta numa nuvem eterna de fumaça.

“Carregamos muitas etiquetas e designações sem nunca sermos total ou suficientemente capazes de responder a esta pergunta”, sublinha.

Tiago Matos, na revista Estante, relembra a inspiração de Carroll e a controvérsia que a rodeia.

Alice Liddell tinha dez anos, quando se transformou na protagonista peculiar desta emblemática obra. Liddell não era, contudo, apenas uma musa artística de Carroll, mas sim uma espécie de obsessão amorosa cultivada pelo escritor, que viria, efectivamente, a pedir a sua mão em casamento, tinha Alice 12 anos.

Mistérios e polémicas à parte, Alice no país das maravilhas será sempre o mais extraordinário convite à aventura que jamais receberá.

A aparente incoerência de que se alimenta, transformam-o numa brilhante e imensa charada. Insuperável!

“Porque é que um corvo se parece com uma mesa?”, interroga o Chapeleiro. “Porque ambos produzem notas”, respondeu eu, agarrando, por fim, uma bela xícara de chá. 

Mais: Which Alice in Wonderland character are you por Katy Steinmetz, na Time.

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