Salada de estórias: 20 de Julho

A reabertura dos bancos gregos (ainda que com os levantamentos limitados a 420 euros), o início das candidaturas ao ensino superior, e a vitória de Portugal na final do campeonato do mundo de futebol de praia marcam esta segunda-feira a par de duas outras estórias bem menos convencionais.

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Menos humanos, mais biodiversidade

Niki Rust coloca um questão curiosa, na Quartz: “Se é mais fácil e barato reduzir a taxa de natalidade humana do que [proteger as florestas tropicais, prender os caçadores furtivos ou manter a atmosfera livre de carbono], porque não estamos mais empenhados nessa diminuição?”

Até 2025, só a expansão da população humana ameaçará 14% das espécies com as quais partilhamos o planeta. Paralelamente, 52% dos mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes estarão em desaparecimento.

Estamos, literalmente, a ultrapassar os limites do planeta e a causar não só mudanças climáticas, mas também a sexta extinção em massa.

O crescimento da população humana é um problema ambiental, diz Rust. A educação feminina e o planeamento familiar são as soluções.

Em 2050, poderíamos ser um bilião menos [do que o previsto] se investíssemos na divulgação dos métodos contraceptivos.

O Centro para a diversidade biológica fê-lo o ano passado com a campanha “Don’t go bare… save the polar bear” (Não vá nu, salve o urso polar). A ele juntou-se a organização Blue Ventures, que agora se aventura nas aldeias plantadas nas zonas protegidas.

Em três anos, a pegada ecológica deste último projecto perdeu 267 hectares com o reforço do planeamento familiar nestas áreas.

Os anos dedicados à educação são, também, poderosos antídotos para esta patologia. “A taxas de fertilidade tende a diminuir quanto maior for o período de formação”, explica Rust.

Mulheres formadas são mães mais tarde – uma vez que estão melhor informadas, acreditam no planeamento familiar e adiam esse acontecimento – e, consequentemente, são líderes de famílias menores: salvam o planeta.

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O segundo índex (desta vez, nos Estados Unidos da América)

O pequeno autocarro serpenteava pelas ruas coloridas de San Antonio, uma pequena cidade do Texas.

Alguns membros do Sindicato dos Trabalhadores do Sudoeste esperavam a preciosa carga no passeio apinhado. “Trago-lhes a resistência”, sorriu Diaz, abrindo-lhes a porta e mostrando-lhes os caixotes a abarrotar com os livros contrabandeados.

Tony Diaz orgulha-se de ser um “librotraficiante” [traficante de livros]. San Antonio foi a primeira paragem dessa “biblioteca móvel clandestina” que distribui livros sobre a cultura mexicana por alguns estados da nação americana, explica a The Atlantic.

A aventura começou estávamos ainda em 2010, quando um grupo de legisladores republicanos propôs a eliminação das aulas de Cultura Mexico-Americana, no Liceu de Tucson, no Arizona, uma escola cuja população é maioritariamente de origem latina.

A proibição foi aprovada: as aulas cortadas dos horários – que continuaram a manter aulas dedicadas à cultura asiático-americana, negra e nativa – os créditos descontados e os livros anteriormente utilizados banidos do campus.

Em 55.000 alunos, só 16.500 estavam à data inscritos nestas aulas. A sua importância era, contudo, incomensurável.

Um ano depois, um estudo da Universidade do Arizona concluiria que a oferta dessas aulas fomenta o interesse dos alunos e, consequentemente, os bons resultados.

Hoje, cinco anos após a aprovação desse projecto de lei e o início da campanha de Diaz, os estudos da cultura México-Americana contaminaram os programas de muitos liceus e universidades norte-americanas.

“Ficou claro que o nosso desenvolvimento intelectual ameaça algumas pessoas [daí] tentarem ilegalizá-lo”, comenta Diaz, cuja ascendência mexicana não impediu a conclusão do mestrado.

Na companhia de poetas, artistas e activistas, Diaz marcha pela liberdade; luta pelo Movimento do Sudoeste Chicano (Mexicano e Americano) que, pouco a pouco, tem conquistado a ribalta.

Mais: BBC could be part-funded by subscriptions in future por Frances Perraudin, no The Guardian

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