Estórias imperdíveis: coração de leão

Nas sombras da marcha assustadora do Estado Islâmico, sobrevivem heróis dedicados a preservar a esperança. Esta semana, dois lutadores – dois verdadeiros corações de leão – e uma última lição para quem não sabe afinal que carreira escolher. “Do altruísmo ninguém se arrepende”, confessa Todd.

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Em menos de um ano, Khaleel al-Dakhi já resgatou 530 crianças e mulheres das mãos do Estado Islâmico (EI).

Em Agosto do ano passado, durante cerco ao monte Sinjar, no Iraque, milhares de homens foram brutalmente assassinados. As mulheres sofreram outro destino: foram raptadas por esses mesmos terroristas que destruíam as suas casas, matavam os seus maridos e aniquilavam a sua tranquilidade.

Sinjar e as sua vítimas foram, contudo, deixados à sua sorte. Aos sobreviventes sobrava a vontade de resgatar as suas mães, filhas e irmãs. Aos governos faltava a disposição para empreender tal missão, informa Olivia Goldhill, no The Telegraph.

Em Setembro, Khaleel arregaçou as mangas e pôs-se ao trabalho. A compilação dos detalhes e nomes das vítimas do “maior rapto deste século” foi demorada. No final, Khaleel produziu a lista, que declara o desaparecimento de 3.000 mulheres.

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Hoje, luta pelos seus resgates ao lado de 100 homens – alguns deles infiltrados no território controlado pelo EI – que arriscam, diariamente, as suas vidas. 

Apesar do perigo iminente – três dos homens que o ajudavam foram assassinados – Khaleel revela-se destemido. “Nunca tenho medo, mas tento proteger-me, porque há muitas pessoas nas prisões do EI à espera para serem salvas. Quanto salvo alguém, sinto-o enquanto vitória sobre os terroristas“, revela.

Do outro lado da fronteira, na Síria, a esperança é, do mesmo modo, o alimento que garante a sobrevivência (ainda que precária) dessas vítimas da guerra e da destruição. “Em Yarmouk, a esperança é a única moeda com valor”, escreve Kareem Shaheen, no The Guardian.

“No momento em que perder a esperança, ou cometerei suicídio ou passearei pelas ruas a carregar a bandeira do EI”, revela Abdullah al-Khateeb, 25 anos.

Há vários meses que Khateeb escreve nas e sobre as ruínas do que uma vez fora um bairro vibrante. The forty rules of siege (As quarenta regras do cerco) é o relato da sua experiência de fome e privação.

Yarmouk, o bairro no sul de Damasco que Khateeb habitara, foi destruído pelo cerco que há três anos priva os sobreviventes de comida, água e electricidade.

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Khateeb estava no último ano de Sociologia na Universidade de Damasco, quando a revolução explodiu. Desde então, têm-se dedicado ao registo de todas estas experiências, bem como ao trabalho humanitário e activista.

Foi, todavia, obrigado a mudar-se para os subúrbios do distrito para escapar ao regime de Assad e ao Estado Islâmico, que o tentara raptar.

“Enquanto vivermos, trabalharemos”, persiste, porém, o jovem.

“Usaram todos os métodos possíveis e imagináveis para nos fazer curvar”, sublinha. Em vez disso, Khateeb mantém-se de queixo erguido, disposto a, no seio devastação e perda constante, encontrar algo de positivo.

No cerco, “percebes que a felicidade é uma decisão e não algo que se procure“, termina.

Mais: Instead of following your passion, find a career that changes people’s lifes por Jess Whittlestone na The Atlantic

Fotografia: Wolfgang Runge/EPA [Friedrichskoog, Alemanha: uma jovem foca espera ser re-introduzida na natureza]
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