Salada de estórias: 06 de Julho

A vitória do “não”, na Grécia, a demissão de Yanis Varoufakis, [ex] Ministro das Finanças do governo de Tripsas, e o atentado bombista na Nigéria (que matou 44 pessoas e feriu 67) marcam esta segunda-feira a par de duas outras estórias bem mais curiosas.

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Roupas em segunda-mão: problema ou salvação?

Do chão ao tecto, a loja de Charles Kuria enche-se com roupas em segunda-mão.

Kuria começou nas ruas, nos mercados agitados e coloridos do Quénia, onde então vendia somente algumas peças de vestuário usado.

Há dois anos, conseguiu, finalmente, tornar-se num grande vendedor por atacado. Emprega, regularmente, quatro pessoas ou quase vinte, de cada vez que um novo carregamento chega.

Hoje, Kuria vive confortavelmente com os lucros desse negócio tão popular na África Oriental.

Todos os anos, ao Quénia chegam mais de 100.000 toneladas de roupas, acessórios e sapatos em segunda-mão.

Pelas ruas, passeiam-se pessoas comuns, que dificilmente alguma vez deixaram o seu continente, com camisolas da Universidade de Oxford ou com t-shirts outrora compradas enquanto souvenirs de uma viagem a Londres.

O negócio das roupas em segunda-mão floresce, sufocando, consequentemente, a indústria têxtil local.

Em Janeiro, os chefes de Estado da África Oriental propuseram o fim da importação de vestuário usado, no Quénia, no Uganda e na Tanzânia. A medida tenciona promover a reanimação do comércio de produtos localmente fabricados.

“Se a proibição for aprovada, os quenianos serão forçados a comprar roupas localmente produzidas”, sublinha Jacqueline Kubania, no The Guardian.

Embora se considere benéfica para a indústria local, “a medida pode ser desastrosa para a porção da população, [à qual pertence Kuria], que depende, inteiramente do negócio das roupas em segunda-mão”, acrescenta.

“Se as pessoas ficarem privadas da oportunidade de ganhar salários honestos, encontrarão no crime a solução, tornando Nairobi uma cidade tendencialmente pouco segura”, defende Kuria.

A cimeira de Novembro trará a decisão final. Até lá, Kubania diz-se interessada no caminho que os governos têm a traçar, animando a indústria têxtil sem ferir estes mercados agitados e os rendimentos daqueles que se deles dependem.


Manipulação, subornos e mortes misteriosas

A figura do jornalista-detective é lendária. Em torno da profissão, dezenas de papéis, tendencialmente, atraentes proliferam pelas mãos dos romances e das produções de Hollywood.

A morte misteriosa de Akshay Singh, uma repórter encarregue pela cobertura da Operação Vyapam parece enaltecer esta imagem do jornalista-justiceiro e intensificar a investigação em curso.

O esquema em causa assenta na manipulação dos exames de entrada nas universidades de medicina e nos cargos públicos em Madhya Pradesh, estado central indiano, em troca de subornos. 

Julgam-se estar envolvidos médicos, funcionários das universidades e políticos.

Desde 2013, ano em que o esquema foi descoberto, mais de 2.000 pessoas foram detidas, avança a Time. À operação Vyapam estão, alegadamente, associadas pelo menos 12 mortes.


Mais: City of the dead: the hidden treasures of Paris cemeteries por 

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