Estórias imperdíveis: criatividade ao rubro

A palavra de ordem do pequeno conjunto de achados desta semana é criatividade. Esse dom gentil que ora se fica pela simplicidade da criação ora se submete à sofisticada técnica.

O irremediável contador de estórias

Sob a luminosidade suave, o conjunto de crianças exoticamente trajadas assume a sua posição. Através da sua lente fotográfica, Carroll vai apresentando contos míticos e personagens estranhas que não podem deixar de encantar.

Lewis Carroll, pai da intemporal Alice no país das maravilhas e de tantas outras obras poéticas sem sentido, produziu quase 3.000 fotografias, sendo um dos mais férteis fotógrafos amadores da sua época, anuncia a The New Yorker.

Um homem da Matemática, da Filosofia, da Literatura e da Fotografia, Carroll deixou um legado sobretudo de originalidade e imaginação.


A fértil e doméstica paisagem criativa

Naquela manhã de Primavera, Joe Sutphin sentou-se à janela. “Vou desenhar um sapo”, pensou. Minutos depois, a silhueta de um explorador apetrechado com os mais diversos instrumentos povoara a folha em branco disposta na mesa.

Joe, desperto para a constante necessidade de partilha sentida nesta era, deu a conhecer o pequeno animal no seu Instagram. Mais tarde, a sua mulher, que andara a jardinar e tinha então descoberto a pequena criatura, mandou-lhe um singelo poema construído em torno do seu rascunho matinal.

Na semana seguinte, Joe decidiu desenhar uma criança à procura de insectos. De novo, a sua ilustração foi acompanhada pela alegre poesia. “Temos de ter cuidado para não transformar este prazer numa expectativa diária”, comenta Sutphin no The Rabbit Room, confessando-se inspirado por este cultivo dinâmico da paisagem criativa doméstica.


A criatividade pode ser calculada?

Ahmed ElgammalBabak Saleh, investigadores na Rutgers University, propõem a matematização da criatividade. Elgammal e Saleh criaram um algoritmo capaz de medir o grau de originalidade de uma obra de arte e de detectar as suas influências artísticas.

Através da análise da textura, cor, linhas e equilíbrio da composição, o programa propõe uma avaliação, partindo da premissa de que a máxima criatividade reside na maior ruptura com os padrões estéticos antecedentes e na maior capacidade de fomentar a mudança artística das produções subsequentes.

Das obras já analisadas, As meninas de Avingnon (ou Les Demoiselles d’Avignon) de Picasso foi o quadro considerado mais criativo no período 1904-1910. “O programa é ainda incapaz de substituir o olho humano”, defende Marc Bain na Quartz. “Ainda lhe falta a capacidade de avaliar uma obra segundo todos os seus ângulos, de a julgar enquanto experiência”, acrescenta.

Embora incipiente, o algoritmo de Elgammal e Saleh sugere uma alteração no modo como a arte é encarada.  Afinal de contas,  a beleza não talvez esteja nos olhos de quem a observa, mas sim no cálculo que a sustenta.

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