Salada de estórias: 08 de Junho

A perda da maioria de Tayyip Erdogan, na Turquia, o resgate de 2.371 migrantes no Mediterrâneo, a atribuição do Tony Award de melhor actriz a Helen Mirren pelo seu desempenho em Sua Majestade marcam esta segunda-feira a par de três outras estórias menos convencionais…


A poesia jihadista como instrumento de poder

Ahlam al-Nasr nasceu com o dicionário nos lábios. Na sua adolescência, escreveu os seus primeiros poemas, muitas vezes dedicados à defesa da Palestina. Hoje, é casada com Abu Usama al-Gharib, um jihadista próximo da liderança do Estado Islâmico.

Al-Nasr e al-Gharib formam um casal poderoso: ele oferece a sua força física e estratégia ao movimento; ela as suas palavras – armas aliciantes utilizadas no processo de recrutamento e eficazes no canalização subliminar de mensagens.

Nos sites dos militantes do movimento jihadista, proliferam poemas sobre assuntos actuais; multiplicam-se os duelos poéticos. “Os analistas têm ignorado estes textos, como se a poesia fosse uma distracção colorida a não ter em conta”, escrevem Robyn Creswell e Bernard Haykel na The New Yorker. Para entender os objectivos e a durabilidade do Estado Islâmico é, contudo, necessário examinar a sua cultura, a sua poesia.

Um dos programas televisivos mais populares no Médio Oriente é Sha‘ir al-Milyoon (Poeta Milionário),  um concurso que segue o modelo ocidental do Ídolos, mas que substitui as canções por poemas. O vencedor recebe 1.3 milhões de dólares (mais do que o Prémio Nobel da Literatura).

A poesia jihadista tende, evidentemente, a ser mais agressiva do que aquela apresentada neste programa. Porém, mantém o carácter sentimental – por vezes, kitsch – e evidencia, do mesmo modo, o profundo enraizamento do género poético na cultura árabe.  Nos seus poemas, al-Nasar descreve o califado como a utopia islâmica: o lugar dos novos começos.


Delírio, o perigo silencioso dos hospitais

Nas salas, permanentemente, iluminadas dos hospitais, autênticas máquinas de ruído e desconforto, esconde-se a possibilidade do delírio.

Os pacientes idosos mantidos sob grandes doses de sedativos, nas unidades de cuidados intensivos, são os mais propensos ao desenvolvimento dessa condição, que, uma vez gerada, pode estender-se durante meses.

O delírio continua, porém, a ser mal-diagnosticado e até mesmo ignorado pelos prestadores dos cuidados médicos. “Deram-me alta e não me informaram desta condição de todo”, conta ao The Atlantic David Jones, que, após uma hospitalização de 6 semanas, começou a sofrer de alucinações que incluíam a de ser queimado vivo.

“Precisamos de reforçar os cuidados com os pacientes mais velhos para que não tratemos todo e qualquer sintoma com um comprimido. Por vezes, um aperto de mão, um chá ou uma conversa podem ser tão eficazes como qualquer medicamento anti-stress”, defende Sharon Inoyue, professora na Harvard Medical School. A constante alteração de pessoal e a consequente ausência de um laço mais forte são mais dois dos factores que promovem a evolução do delírio sublinhados por Inoyue.


Estarão os palhaços em desaparecimento?

“Do you do frozen?”, perguntou-lhe a mulher. Mattie Faint suspirou e respondeu: “Não, não, mas haverá um espectáculo de magia, balões e partidas…”. A voz ansiosa disse-lhe que voltaria a ligar. Não o fez.

Estarão os palhaços em desaparecimento? Faint, que desde os 17 anos é um palhaço profissional, considera-os “figuras culturalmente exaustas”. “Não desaparecerão. Nós provavelmente só precisamos de nos diversificar”, conta ao The Guardian.

A crise [económica], a mudança das preferências infantis, e a cavalgante Coulrofobia (medo de palhaços) são algumas das justificações possíveis para o falecimento desta figura tão tradicional.

Um estudo da Universidade de Sheffield revela que as crianças consideram os palhaços assustadores e não confiáveis. “Noutros tempos, a ideia de as expor a este misto de ansiedade e comédia era mais atractiva para os pais. Hoje, pensam duas vezes”, reforça Faint.

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